O que é
Uma consulta de treino, do começo ao fim
Desde 2016 a Escola de Pacientes DF treina estudantes com pacientes simulados: alguém faz o papel de quem procura o serviço de saúde, e o estudante conduz a consulta inteira. O que se treina ali não é acertar o diagnóstico — é a condução: perguntar o que precisa ser perguntado, na ordem que faz sentido, sem deixar passar o sinal de alerta que muda a conduta.
Desde 2023 esse paciente também pode ser digital: uma inteligência artificial que segue um roteiro clínico escrito pela equipe, baseado nas diretrizes da Atenção Primária e do SUS. Ela responde como o paciente responderia — inclusive calando o que não foi perguntado. É treino a qualquer hora, sem depender de outra pessoa para fazer o papel.
Como funciona
Três passos, e a consulta começa
Não é preciso instalar nada, criar cadastro nem imprimir material. Você abre o endereço, digita o código que o professor passou e já está atendendo.
Escolha o caso e a IA
Escolha pelo catálogo, lendo o tema de cada caso, ou peça um paciente sorteado, sem saber do que ele se queixa. Depois escolha com qual inteligência artificial quer conversar.
Conduza a consulta
Pergunte como perguntaria no consultório. O paciente não entrega o diagnóstico: ele responde ao que você investigar e cala o que você não perguntar.
Receba o retorno
Ao encerrar, o sistema compara o que você fez com o que era esperado naquele caso e mostra, item por item, o que você cobriu e o que ficou de fora.
Cada caso é uma pessoa diferente, com história e jeito próprio de responder.
Escolha a sua IA favorita
Você não fica preso a uma inteligência artificial só. Escolhe qual vai dar voz ao paciente antes de começar e pode trocar na consulta seguinte: mesmo caso, outra IA.
Troque quando quiser
Atenda hoje com uma, amanhã com outra, e compare como cada uma faz o papel do paciente. Se alguma ficar lenta ou sair do ar, você troca e continua — a atividade não depende de uma empresa só.
A cobrança é sempre a mesma
Quem corrige é o sistema, com o que a equipe clínica definiu para aquele caso. Trocar de IA muda com quem você conversa, não o que é cobrado de você.
Tudo numa tela só
A conversa, a lista de conferência e o resultado vêm um depois do outro, no mesmo lugar. Não é preciso abrir formulário à parte nem guardar nada para depois.
O que você recebe no final
A conversa é o meio; o que fica é o que vem depois dela. Ao encerrar, cada item esperado naquele caso aparece marcado de três formas — você fez, fez pela metade ou não fez — com o trecho da sua própria consulta que justifica a marcação.
Nem todo item vale o mesmo
O que é mais grave pesa mais no resultado: apresentar-se ao paciente não conta o mesmo que uma decisão capaz de colocá-lo em risco. E o que faz mal ao paciente tira pontos — não basta lembrar de tudo, é preciso também não fazer o que prejudica.
Sete áreas, sempre as mesmas
Toda consulta é lida pelas mesmas sete áreas, na mesma ordem — assim você pode comparar a consulta de hoje com a do mês passado. Quando o caso não cobra alguma delas, ela aparece como não avaliada, e nunca como zero: zero se leria como erro seu, quando na verdade o assunto não estava em jogo naquele caso.
Esse retorno serve para você pensar sobre a própria consulta. Não é nota, não entra em boletim e não substitui a conversa com o professor — que continua sendo parte da atividade, como sempre foi nas simulações da Escola.
Dois jeitos de começar
Os dois levam à mesma tela e ao mesmo retorno no final. O que muda é o quanto você sabe antes de dar bom dia.
Escolher no catálogo
Você lê o tema de cada caso e escolhe. É o caminho de quem quer estudar um assunto específico — hipertensão nesta semana, pré-natal na próxima.
Sortear um paciente
Você recebe alguém sem saber do que ele se queixa, como acontece no atendimento de verdade. Serve para treinar o raciocínio do zero — por isso nem o endereço da página entrega o tema.
Como os casos são organizados
Cada paciente entra em um grupo da CIAP-2, a classificação usada nos atendimentos da Atenção Primária no Brasil. O grupo é escolhido pelo motivo que levou a pessoa a procurar atendimento, e não pelo diagnóstico. Quem chega com dor nas costas fica em Músculo-esquelético, mesmo que a investigação termine em outro lugar — se o rótulo fosse o diagnóstico, a resposta estaria dada antes da primeira pergunta.
Há uma segunda razão para isso: os atendimentos do SUS também são registrados em CIAP-2. Organizando os casos do mesmo jeito, o que os estudantes treinam pode ser comparado com o que a rede de fato atende.
Os grupos que ainda não têm nenhum paciente aparecem no catálogo assim mesmo, de propósito. É essa lacuna que mostra à equipe qual caso precisa ser escrito em seguida.
Como acessar
Peça o código da turma ao professor da disciplina. Ele é passado em sala, vale para o semestre e é tudo de que você precisa: com o código, as inteligências artificiais ficam liberadas e você já pode atender. O código diz de qual turma é a consulta — nunca quem a fez.
O que fica registrado da sua consulta
O SimulaPacientes também serve à pesquisa do grupo. Como isso mexe com dados de quem estuda, vale dizer com todas as letras o que acontece.
Você não é identificado
Não existe campo para nome, e-mail, matrícula ou endereço de internet. Não é uma promessa de que ninguém vai olhar: é que não há onde guardar esse dado.
A conversa não é guardada
Fica registrado apenas o resultado da conferência — quais condutas apareceram e quais não. O texto do que você escreveu ao paciente não é salvo em lugar nenhum.
A leitura é da turma, não sua
O que a equipe enxerga é onde o grupo tropeça mais, por tema e por área. Serve para reescrever casos e planejar aula — não para avaliar pessoa nenhuma.
A coleta de dados está em fase de teste, feita pela própria equipe. Usar esses dados numa pesquisa com estudantes depende da aprovação do projeto por um comitê de ética em pesquisa, que corre em paralelo ao desenvolvimento.